Faturamento
da pequena empresa em fevereiro aponta recuperação
Foram
criadas 130 mil vagas no período, maior
expansão de pessoal ocupado para um mês
de fevereiro
10/04/2007 - A melhora na atividade econômica
chegou até as micro e pequenas empresas
paulistas. Em fevereiro de 2007, o faturamento
real dos pequenos negócios teve alta de
1,4% sobre fevereiro de 2006. Nesse período,
os três setores de atividade registraram
aumento de faturamento: indústria (+1,6%),
comércio (+1,1%) e serviços (+2,2%).
Por
regiões, o Grande ABC e o Interior são
as áreas com melhor desempenho no faturamento
na comparação entre fevereiro de
2007 e de 2006, respectivamente com índices
positivos de 5,5% e 5,2%.
Os
dados fazem parte dos Indicadores Sebrae-SP, pesquisa
de conjuntura mensal realizada pela entidade com
a colaboração da Fundação
Seade (Sistema Estadual de Análise de Dados),
a partir do monitoramento de 2.716 empresas de
micro e pequeno porte no Estado.
Segundo
o diretor-superintendente do Sebrae-SP, Ricardo
Tortorella, o desempenho positivo, embora modesto,
nos três setores de atividade, pode ser
indício da dinamização da
economia.
"Depois
de um ano difícil, nesse momento, a inflação
baixa associada à recuperação
da renda dos trabalhadores e aos juros em queda
começam a beneficiar as vendas das micro
e pequenas empresas. Essa melhora e a que ainda
poderá vir, com a implantação
da Lei Geral das Micro e Pequenas nos municípios,
estão abrindo novas perspectivas para os
pequenos negócios em todo o Estado",
afirma Tortorella.
Na
evolução mensal, o menor número
de dias úteis e o Carnaval contribuiram
para a retração de 2,4% do faturamento
das MPEs, comparando fevereiro com janeiro de
2007.
Na
evolução mensal, de janeiro para
fevereiro de 2007, apenas o Interior manteve bom
desempenho com alta de 3%. No ABC, a queda foi
de 20,7%. Nesse mesmo período, a Região
Metropolitana de São Paulo teve queda no
faturamento em 6,8 %. No município de São
Paulo, a baixa foi de 3,6%.
Pessoal
ocupado
Ao contrário do que aconteceu com o faturamento,
na comparação de 12 meses (fev/07
contra fev/06), o nível de pessoal ocupado
nas micro e pequenas empresas apresentou ligeira
queda (-0,6%) sobre fevereiro de 2006.
Já
na comparação entre fevereiro e
janeiro de 2007, os pequenos negócios foram
responsáveis pela abertura de 130 mil novos
postos de trabalho, resultado da expansão
de 2,4% na evolução mensal, o maior
registrado até o momento.
"Isso
indica uma tendência à recuperação
no total de vagas, depois de um período
de vendas fracas e enxugamento de quadros. Porém,
apesar da melhora, o total de pessoas ocupadas
nas pequenas empresas continua abaixo do verificado
no ano passado", destaca Marco Aurélio
Bedê, gerente do Observatório das
Micro e Pequenas Empresas.
Rendimento
e gastos
Em fevereiro de 2007, o rendimento real dos empregados
das micro e pequenas empresas teve alta de 3%
sobre fevereiro de 2006, descontada a inflação.
Segundo
estudo do Sebrae-SP, da mesma forma que nos meses
anteriores, as micro e pequenas continuam seguindo
a tendência de recuperação
dos salários, verificada na economia, devido
à inflação sob controle e,
aos dissídios com recuperação
dos salários acima da inflação,
puxados pelas negociações dos trabalhadores
com as grandes empresas.
Na
comparação de fevereiro de 2007
com janeiro deste mesmo ano, o rendimento real
dos trabalhadores apresentou queda de 10,4%. Em
janeiro, o "rendimento dos trabalhadores
foi favorecido pelas comissões associadas
às vendas natalinas, feitas no crediário,
e às vendas em liquidações",
aponta Bedê.
Em
fevereiro de 2007, os gastos totais com a folha
de salários apresentaram aumento de 3,6%
sobre fevereiro de 2006 e queda de 8,3% ante janeiro
de 2007.
Expectativas
Em março de 2007, aponta a pesquisa, a
maioria dos empresários (54%) registrou
expectativa de estabilidade no faturamento de
sua empresa para os próximos seis meses.
Acompanhando
a melhora efetiva do faturamento das micro e pequenas
empresas, aumentou a proporção dos
que acreditam que a receita da empresa irá
aumentar nos próximos 6 meses: 32% em março/07
ante 25% em fevereiro/07 e 31% em março/06.
Quanto
à evolução da economia brasileira,
48% esperam manter o nível de atividade
nos próximos seis meses. A proporção
dos que acreditam em melhora no nível de
atividade subiu de 25% em fevereiro/07 para 33%
em março/07. Em março/06, os empresários
que acreditavam em alta no faturamento eram 30%.
Para
Ricardo Tortorella, a expectativa geral é
de crescimento paulatino dos negócios de
micro e pequeno porte. Mesmo com reduções
mais suaves, tudo indica que a taxa de juros,
embora ainda alta, continuará em queda,
beneficiando todo setor produtivo e em especial
as MPEs.
O
setor
As micro e pequenas empresas representam 98% das
empresas formais no Estado de São Paulo
e ocupam 67% dos trabalhadores do setor privado
formal e não-formal e respondem por 28%
da receita bruta do setor formal da economia paulista.
A
pesquisa é realizada com base em uma amostra
de 2.716 empresas de micro e pequeno porte, representativas
de um universo de 1.326.354 micro e pequenas empresas
formais, presentes no cadastro de empresas da
Fundação SEADE. Cerca de 11% encontram-se
na indústria de transformação,
57% no comércio e 32% nos serviços.
Em conjunto, essas empresas geram postos de trabalho
para cerca de 5,7 milhões de pessoas, no
Estado de São Paulo. No mês de fevereiro
de 2007, o faturamento médio da micro e
pequena empresas foi de R$ 14.169,68. A média
de pessoal ocupado por empresa do setor - incluindo
sócios e familiares - foi de 4,3 pessoas.
Fonte
Sebrae